Moçambique está de novo cercado.

Esta foi a frase que um amigo me disse num café.

Não é uma frase leve.

Ela faz regressar à memória os anos difíceis que vivemos depois da independência, quando o país foi empurrado para a guerra, para a escassez, para a dependência e para um cerco silencioso que não era sempre oficialmente declarado, mas era real na vida concreta das pessoas.

Hoje, o país atravessa um momento perigoso.

Cabo Delgado continua em guerra. Os apoios externos mudam ou desaparecem. As regras do mundo estão a ser reescritas. A disputa entre grandes potências intensifica-se. E Moçambique, com o seu gás, os seus minerais raros e a sua fragilidade económica, corre o risco de voltar a ser palco de interesses alheios.

Eu proponho que pensemos seriamente em unidade estratégica. Não em unidade de propaganda, não em unidade de comício, não em unidade de slogans.

Falo de uma unidade real entre lideranças políticas, sociedade civil, igrejas, intelectuais e forças vivas do país para responder à pergunta essencial:
como defender Moçambique, a sua soberania, os seus recursos e, sobretudo, o seu povo?

Se o mundo está a entrar numa nova fase de confrontação entre grandes potências, e se Moçambique possui recursos cada vez mais cobiçados, então nós não podemos continuar distraídos, divididos ou ingenuamente disponíveis para servir interesses alheios.

Não podemos voltar a ser terreno de batalha dos outros.

Não podemos continuar a oferecer os nossos jovens como instrumento de guerras que não são deles.

Não podemos permitir que a riqueza que devia dar futuro ao nosso povo se transforme em nova maldição.

No fim, deixo-lhe a mesma pergunta que me ficou no coração desde aquele café:
Moçambique está mesmo de novo cercado?

E se a resposta for sim, o que devemos fazer agora?

Reply

or to participate.