- Severino Ngoenha
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Moçambique não pode continuar a competir com os mais miseráveis.
Penúltimos no mundo? A pergunta verdadeira é outra
Um relatório do Banco Mundial voltou a provocar debate em Moçambique. Muitos ficaram escandalizados por ver o país colocado quase no fundo da escala mundial do desenvolvimento. Outros discutiram os critérios usados. Eu compreendo a indignação, mas penso que ela deve levar-nos mais longe.
A verdadeira vergonha não é sermos segundos, terceiros, quintos ou sextos a partir de baixo. A verdadeira vergonha é aceitarmos que Moçambique continue a ser um país onde milhões vivem sem comida suficiente, sem escola digna, sem medicamentos, sem casa decente e sem horizonte.
Neste episódio de Pensar Em Comum, parto desta inquietação para perguntar: como é que um país tão rico em recursos continua a produzir tanta pobreza?
Moçambique tem terra, mar, peixe, minerais, gás, juventude e inteligência. O que nos falta não é potencial. O que nos falta é transformar esse potencial numa economia que sirva a maioria, e não apenas pequenas elites.
A desigualdade é hoje uma das maiores formas de violência em Moçambique. Quando uma minoria tem muito e a maioria não tem quase nada, a paz social torna-se frágil. A fome, a pobreza e a humilhação podem transformar-se em revolta. E nós já sabemos, pela nossa própria história recente, o que acontece quando o desespero social deixa de encontrar caminhos de esperança.
Neste vídeo, defendo que não podemos esperar que o FMI, o Banco Mundial, a União Europeia, a África do Sul ou qualquer parceiro externo resolva os nossos problemas por nós. Cada país pensa primeiro em si. É legítimo que o façam. Mas então é também nosso dever pensar primeiro em Moçambique.
Precisamos de uma economia mais solidária, mais produtiva, mais moçambicana. Uma economia que crie trabalho para os jovens, salários mais dignos, produção nacional, agricultura forte, hospitais com medicamentos e escolas com condições.
Não se trata de caridade. Trata-se de criar condições para que cada moçambicano participe no desenvolvimento do país.
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