Moçambique: Violência, Tribalismo e a Luta por Unidade

A nova partilha do Professor Severino Ngoenha sobre a crise social, as tensões regionais e a necessidade urgente de unirmos Moçambique contra o tribalismo.

Caros amigos,

Quando há dias nos reunimos no funeral do Bispo Dom Osório, em Quelimane, um desabafo partilhado por um familiar soou de forma extremamente preocupante aos nossos ouvidos: “Nós, os Macuas, nos vamos”. Esta frase não é um desabafo isolado. Ela é o reflexo de uma tensão silenciosa que está a crescer nas nossas províncias. Essa divisão ameaça deitar por terra o sonho de unidade nacional que herdámos de Eduardo Mondlane e que Samora Machel procurou ensinar-nos ao longo da sua governação.

No novo episódio do nosso podcast que partilho hoje, converso abertamente sobre as várias formas de violência que afetam o nosso dia a dia. Não se trata apenas da guerra em Cabo Delgado, que já dura há nove anos, mas da violência diária da falta de transportes públicos dignos, das estradas esburacadas, da habitação precária e, sobretudo, da fome. Quando as pessoas sentem que o Estado e as instituições não lhes garantem o básico para viver, a confiança desaba e instala-se uma mentalidade perigosa de "cada um por si" (o desenrascar, o pandar ou o nhonga).

Se continuarmos divididos e de costas voltadas, enfraquecemos o nosso próprio país. Esse isolamento e o conflito interno funcionam como um convite para que interesses externos e multinacionais continuem a saquear os nossos recursos sem qualquer resistência. Para impedir isso, precisamos de ir além dos discursos de circunstância. Moçambique precisa de ações corretivas urgentes, de uma distribuição mais justa das oportunidades e de devolver a dignidade e a segurança alimentar a cada cidadão, rompendo com uma mentalidade de "mesa ou menu" internacional.

Convido-vos a acompanhar esta conversa de treze minutos para refletirmos juntos sobre as bases e o futuro da nossa moçambicanidade.

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