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Seremos de facto um povo?
Em 2025, Moçambique, Angola, São Tomé e Portugal assinalam 50 anos de datas que mudaram as suas histórias: as independências africanas e o 25 de Abril.
No novo episódio do Pensar em Comum parto de uma pergunta simples, mas profundamente incómoda: somos realmente um povo, ou apenas um desenho no mapa herdado da Conferência de Berlim?
Em várias conferências, dentro e fora do país, discute-se quem “abre a porta” a quem: se foi o 25 de Abril que permitiu as nossas independências, ou se foram as lutas de libertação que empurraram Portugal para a democracia.
Mas, por detrás desta discussão, há duas questões que considero decisivas para o diálogo nacional que hoje se desenrola em Moçambique:
Moçambique só é Moçambique porque é Portugal?
Se aceitarmos a tese de que os povos que habitam o território nunca se encontraram antes do colonialismo, então grande parte do nosso desafio não é “reconciliar”, mas conciliar:Criar razões para querermos habitar o mesmo espaço.
Construir, juntos, uma narrativa comum onde todos nos possamos reconhecer. Daí a imagem do Estado como guarda-chuva: um estado que só cobre alguns, e deixa outros à chuva, não pode pedir adesão duradoura.
Escravatura, colonização e feridas que ainda sangram
Ao mesmo tempo, a segunda tese que surge nestes debates lembra-nos que as feridas entre nós não começaram em 1975.Com as rotas árabes, com o tráfico de escravos, com as guerras internas, houve grupos que desempenharam papéis muito diferentes – de dominados, mas também de dominadores.
Em Cabo Delgado, no antigo Império de Gaza, em várias regiões, estas memórias ainda orientam desconfianças, alianças e ressentimentos.
Aqui, já não se trata de conciliação apenas. Trata-se de uma verdadeira reconciliação das memórias:
Reconhecer as histórias, as dores e as assimetrias.
Deixar que as pessoas falem das suas feridas.
E criar razões concretas – políticas, económicas, simbólicas – para continuarmos juntos debaixo do mesmo guarda-chuva chamado Moçambique.
No episódio, insisto numa ideia central: nenhuma unidade nacional sobrevive à percepção de injustiça.
Por isso falo de:
Redistribuição de recursos.
Igualdade perante a lei.
Discriminação positiva a favor dos mais fracos.
Presença real do Estado em todas as regiões e em todos os grupos.
👉 O vídeo completo está disponível no meu canal do YouTube.
Basta clicar no botão para assistir e, se fizer sentido para si, partilhar.
Convido-o a comentar, responder, discordar se for preciso. Só há reconciliação verdadeira quando há palavra, escuta e vontade de caminhar juntos.
Clique no botão, assista ao vídeo e participe neste esforço de pensar em comum para podermos viver em comum.
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